domingo, 1 de maio de 2011

Essa Democracia Amante da Monarquia.






A monarquia, com a sua grande concentração de poder, monopólio e descendência de governo, tem laços históricos enraizados na extravagância, luxo e status sociais.  A admiração por este sistema político que, mais que do que um padrão político, predominou a importância da hierarquia e adequado comportamento social é, ainda, impregnado no comportamento contemporâneo. Quantos países, embora de estrutura democrática, não admiram e acompanham com assiduidade os poucos países monárquicos ou vestígios do que seja a monarquia?. O casamento real de Sr. Príncipe William e  a nova princesa Kate  é prova suficiente que o "beija-mão" remetido a toda monarquia e reis ainda existe e é caracterizado como algo relevante e elegante. O mundo todo acompanhou a cerimônia de casamento do príncipe, exorbitante em pompas, regras e respondendo fielmente a todas as caracterizações que a sociedade conceituou como elegância e sofisticação. O mundo parou para conferir um evento que, claramente, não altera em nada aspectos relevantes no mundo, a não ser o fato de que as pessoas, ainda, priorizam informações fúteis e alimentam um sistema improdutivo, que delimita a baixa e alta classe. A atração voltada a monarquia é algo inexplicável. Ela, diante a democracia, que,  teoricamente, não diferencia as pessoas e organizou um sistema político em que a voz e desejo de todos devem ser ouvidos, é um retrocesso à ideia e inteligência humana e uma ofensa a tudo que a humanidade construiu ao longo de sua jornada. Sendo clara, ela é estúpida e classista.




A caríssima cerimônia, o excesso de requinte e a mensagem da superioridade da monarquia em relação aos seus súditos ocorreu principalmente ostentado pelo desejo da população londrina, que endeusa os novos príncipes e pararam sua vida para acompanhar algo que acreditam ser superior, relevante para sua nação. Se a mesma quantidade de pessoas que estiveram em Londres e as que acompanharam a transmissão por mídias sociais, tivessem o mesmo nível de curiosisade por temas relevantes como conflitos políticos, pobreza, desigualdades e criminalidades, tais problemáticas não estariam sendo tratadas com tanto descaso, a ponto de estarem sendo negligenciadas pela sociedade. Todo esse evento só nos mostrou como as pessoas ainda se preocupam com o título. Títulos que capacitam pessoas a serem mais ricas, mais vistas e ditadoras de conduta. As indumentárias de Kate na vida cotidiana e as que a mesma desfilou em seu matrimônio, segundo a imprensa, já se tornou um dos itens mais solicitados no mercado do consumo. Um exemplo típico de consumismo da vida moderna, pois as pessoas não buscam tais produtos pelo gosto, escolha, mais porque a monarquia usou. O consumismo desenfreado surge pelas inseguranças humanas que, em busca de tornarem-se como os que consideram superior, compactuam-se ao capitalismo para consumir matérias que classificam como superior.  Uma sociedade que primitivamente só alcança satisfação se consumirem o que o exterior dita, não o que o interior necessita.




Improdutivamente, livros, artigos diversos e até um filme sobre o "casal real" estão sendo feitos; produtos provindos de uma relação normal entre um homem e uma mulher, mas que as pessoas necessitam consumir para delimitarem - como tudo na vida - o que é bom ou ruim, superior ou inferior e de classe (dos ricos) e bregas (dos pobres). Toda essa glamourização sobre o casal mais visto do mundo, talvez, nem seja fruto dos objetivos de ambos, como casal, mas da própria sociedade que inutilmente necessita inferiorizar pessoas e superiorizar outras. Que precisam admirar tudo o que provém do dinheiro e ridicularizar o que não é produto da classe alta. Uma cerimônia que ratificou que, apesar de anos sem a inserção do sistema monárquico em grande parte do globo, ainda há  valores da Idade Moderna impregnados no comportamento dos homens, idolatrando e copiando o dito elevado a fim de adquirirem um estilo de vida esteticamente considerado de valor. Um sistema político medíocre, segregador e inviável a igualdade social, mas que é aplaudido pelos povos de várias partes do mundo, demonstrando que, apesar de uma possível evolução racional, política e social, ainda há uma grande quantidade de cidadãos que louvam um sistema político tão baixo, improdutivo e arcaico, mesmo sendo um cidadão de uma era moderna, democrática e realmente benéfica a todo povo.



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